segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CASSIO LOREDANO em RIO, PAPEL E LÁPIS

 

 

O cartunista Cássio Loredano lança livro e também abre exposição com suas paisagens favoritas

O cartunista Cássio Loredano lança livro e também abre exposição com suas paisagens favoritas

 

O livro Rio, papel e lápis, que o Instituto Moreira Salles (IMS) lançou dia 8 de agosto, reúne 62 retratos do Rio de Janeiro feitos por Loredano.  O cartunista traçou um roteiro que começa na Capela de Nossa Senhora da Cabeça, nos arredores do Jardim Botânico, passa pelo centro histórico da cidade e termina na Ponte dos Jesuítas, na Zona Oeste.

Cássio Loredano é um andarilho, que se desloca pelo Rio de Janeiro , ou recorre ao transporte público. Das janelas do ônibus, ele admira a Cidade Maravilhosa. “Eu gosto do barroco colonial que o mestre de obra português nos deixou”. Às vezes, pega metrô – mas se ressente por não poder apreciar a paisagem. “Bom mesmo é o “expresso canelinha”, brinca o caricaturista, que anda longas distâncias com frequência: os 7 quilômetros de Laranjeiras, onde mora, ao centro do Rio, por exemplo, ele faz em cerca de meia hora. “Mas não sou flâneur, que é o cara que vai seguindo a folha de papel que o vento empurra. Ando rápido. Gosto de andar pelas calçadas para ver as moças e as fachadas.”

Suas andanças resultaram no livro Rio, Papel e Lápis, e na exposição homônima que o Instituto Moreira Salles (IMS) abriu neste sábado, 8, em seu centro cultural na Gávea. O instituto encomendou-lhe as ilustrações, tendo como mote os 450 anos do Rio. Pediu 50, recebeu 61. É que Loredano é um apaixonado pela sua cidade: “Morei muitos anos em São Paulo, mas quando estava andando na rua, na Europa, era pela Avenida Mem de Sá (na Lapa) que eu andava”. Seus desenhos são um convite ao passeio: “Meu livro apresenta vários lugares que estão escondidos, mas que merecem ser visitados”. 

 

Avenida Presidente Vargas e a Igreja de Nossa Senhora da Candelária  (Foto: Cássio Loredano )           2 | O ALTAR _ A Avenida Presidente Vargas e a Igreja de Nossa Senhora da Candelária. Ponto lembrado pela violência e pelos casamentos (Foto: Cássio Loredano )

 

Chaminé do Catumbi e o Morro da Coroa  (Foto: Cássio Loredano )           3 | SOLIDÃO _ A Chaminé do Catumbi e o Morro da Coroa. Não sobrou quase nada do bairro antigo, que abrigava uma refinaria de açúcar (Foto: Cássio Loredano )

 

Castelinho de Santa Teresa, no Rio de Janeiro  (Foto: Cássio Loredano )             4 | IMPÉRIO _  A imponência do Castelinho de Santa Teresa. Ele foi construído no século XIX por um comendador português (Foto: Cássio Loredano )

 

Avenida Passos, uma homenagem ao prefeito Pereira Passos  (Foto: Cássio Loredano )              5 | PASSEIO _ A Avenida Passos, entre as ruas Buenos Aires e Luís de Camões. Uma homenagem ao prefeito Pereira Passos, que redesenhou as ruas do Rio (Foto: Cássio Loredano )

 

Mapa do Rio de Janeiro com as localizações de cada ilustração feita por Cássio Loredano  (Foto: época )

 

Andanças do caricaturista resultaram no livro Rio, Papel e Lápis, e na exposição homônima que o Instituto Moreira Salles

PRAÇA  XV e ARCO do TELES

Loredano escolheu não praias e montanhas que fizeram a fama da cidade, tampouco o Pão de Açúcar ou o Cristo Redentor. Usou grafite, nanquim, esferográfica e aquarela para dar forma a igrejas, prédios públicos, monumentos, pontos comerciais e sedes de times de futebol. É o Rio edificado que capta o olhar desse carioca, que já morou na Alemanha, França, Itália e Espanha.

“O carioca passa pelos Arcos da Lapa como se fosse a coisa mais natural do mundo um aqueduto romano no meio da cidade”.

 

ROMA É AQUI Os Arcos da Lapa e o Convento de Santa Teresa, no alto do morro. Um aqueduto no coração de uma metrópole tropical (Foto: ilustração: Cássio Loredano)

ARCOS da LAPA e o CONVENTO de SANTA TERESA

 

“Não fico olhando para o Pão de Açúcar, e sim para o Real Gabinete Português de Leitura. “À praia eu não vou, nem sei nadar. Fico no quiosque bebendo cerveja. Como diz o (cartunista) Jaguar, intelectual não vai à praia, intelectual bebe. Quando brincam que eu sou moreno porque frequento praia, respondo que pego sol andando na rua.”

Ele teve um ano para realizar o trabalho: os desenhos e os pequenos textos que os acompanham no livro. A perspectiva é a de quem vê as paisagens da calçada. Em nenhuma das imagens aparece a figura humana. “Não tem gente para que não se desvie o olhar do que é essencial aqui, que são as fachadas: veja a Biblioteca Nacional, como é linda.” Não reproduziu fielmente o que viu, mas o que lhe interessava sublinhar. O Teatro Municipal aparece sem vizinhos, tendo apenas à sua direita o prédio onde ficava o bloco carnavalesco Cordão da Bola Preta. “Lembro de ir ao teatro e, no intervalo, escutar a gafieira que vinha de lá”, diverte-se. Na Rua Primeiro de Março reproduz apenas os adornos da fachada da Igreja da Ordem Terceira do Carmo; a igreja ao lado, que considera feia, ficou só no contorno.

 Sua admiração pela cidade do Rio de Janeiro fica clara nos desenhos sobre o centro, que foi a primeira região urbanizada da cidade, no século 16, e concentra também arranha-céus. A Igreja de Santa Luzia, do século 18, convive com o Palácio Capanema, símbolo do modernismo dos anos 1940, e edifícios mais recentes; a centenária Igreja do Carmo da Lapa também é vizinha de prédios altos; o Real Gabinete, construído em 1887, tem à frente a escultura do artista Franz Weissmann Retângulo Vazado. “Escolhi olhar para onde ninguém olha, porque quem está de carro tem que tomar cuidado para não bater no carro da frente”, Loredano sintetiza.

Rio, papel e lápis
Desenhos de Cássio Loredano
Curadoria: Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires
Visitação: até janeiro de 2016
De terça a domingo, das 11h às 20h.

Local: Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea – Rio de Janeiro - RJ
Telefone: 21 3284 7400

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